Percepções sobre vida e morte em um Banho de floresta após dias de chuva.
Caminhar na natureza após dias de chuva, é perceber como a água é poderosa e transforma a vida. A vida flui tão visivelmente que quase podemos ver as plantas crescendo e morrendo naqueles instantes em que estamos ali observando. A vida e a morte pulsam na natureza molhada.
No Banho de floresta hoje percebo:
O frescor e a umidade do ar.
A maciez da terra.
O brilho nas cores das flores e das folhas molhadas e ainda com gotas de água.
Os passarinhos animados.
O cheiro das frutas (goiaba e acerola) que caíram na terra se decompondo.
Os insetos comendo essas frutas no chão e até mesmo algumas que ainda estão nas arvores.
O encontro e a dissolução das frutas com a terra, tornando-se uma só coisa.
O tronco do velho flamboyant que caiu também começou a se desfazer. Poder ver o interior desse tronco que um dia foi forte e saudável, se desfazendo, me faz refletir como as arvores assim como nós estão um dia vivas, um dia mortas, um dia se decompondo, um dia voltando para terra, um dia sendo uma com a terra.
O frescor pulsante de um dia depois da chuva, o movimento e o aroma da vida e da morte permanecem em mim.


